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terça-feira, 27 de maio de 2014

O Tejo



Da minha janela
Foto da minha autoria

O Tejo 

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia.
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia.
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior que o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Alberto Caeiro, um dos heterônimos de

Fernando Pessoa
(1888-1935)



O elo de ligação entre as duas margens
Foto da minha autoria





 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Dedicatória - Tudo vale a pena se...


Tudo vale a pena se a alma não é pequena.
 

 Antes de tudo, fiz uma pesquisa para descobrir o significado de “valer a pena”. Encontrei significados que beiravam o senso comum, como pena com o significado de “sofrimento”, o que quer dizer que valeu o sofrimento. Ou ainda como “pena” sendo caneta, e a expressão significaria algo que valha ser escrito, e por isso também ser relembrado e recontado.



 Mar Português
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa, in Mensagem


A famosa citação faz todo sentido, afinal é comum depararmos com dificuldades diárias para realizar os nossos objetivos, nesses momentos de reflexão questionamos se realmente vale a pena realizar esse esforço para chegar onde queremos.

A resposta foi dada por Fernando Pessoa, se para alcançarmos o desejado é preciso vencer barreiras, sim vale a pena. Esses casos são aqueles em que quando se chega a tão sonhada vitória, o vencedor tem a certeza de que passaria por tudo de novo para chegar onde está, por mais complexo que tenha sido os obstáculos.



Dedico este post ao Formador Professor João Paulo Proença, que foi incansável, ao Centro de Formação  ALMADAFORMA e a todas as colegas que com certeza como eu deram tudo para chegar ao final e principalmente as que queriam desistir pois elas foram as grandes vencedoras nesta formação, que deu origem a este meu novo blogue.

Até breve!


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Fernando Pessoa @ NYC (en)cantado por Ana Moura

.

E aqui vos deixo mais este vídeo para encantar alguns momentos do vosso dia.
Porque o poema é de Pessoa, porque é um fado e por muitas outras razões, espero que gostem.


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Fernando Pessoa



Fernando Pessoa (1888 - 1935) foi um poeta e escritor português, nascido em Lisboa. É considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa e da literatura universal.

Como poeta, era conhecido por suas múltiplas personalidades, os heterónimos, que eram e são até hoje objeto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra.

Os principais heterônimos de Fernando Pessoa são:

- Alberto Caeiro, nascido em Lisboa, e era o mais objetivo dos heterônimos. Buscava o objetivismo absoluto, eliminando todos os vestígios da subjetividade. É o poeta que busca "as sensações das coisas tais como são". Opõe-se radicalmente ao intelectualismo, à abstração, à especulação metafísica e ao misticismo. É o menos "culto" dos heterônimos, o que menos conhece a Gramática e a Literatura.

- Ricardo Reis, nascido no Porto, representa a vertente clássica ou neoclássica da criação de Fernando Pessoa. Sua linguagem é contida, disciplinada. Seus versos são, geralmente, curtos. Apóia-se na mitologia greco-romana; é adepto do estoicismo e do epicurismo (saúde do corpo e da mente, equilíbrio, harmonia) para que se possa aproveitar a vida, porque a morte está à espreita. É um médico que se mudou para o Brasil.

- Álvaro de Campos, nascido no Porto, é o lado "moderno" de Fernando Pessoa, caracterizado por uma vontade de conquista, por um amor à civilização e ao progresso. Campos era um engenheiro inativo, inadaptado, com consciência crítica.