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sexta-feira, 16 de maio de 2014

A MENINA QUE ODIAVA LIVROS




A menina que detestava livros – Manjusha Pawagi


A menina que detestava livros


Era uma vez uma menina chamada Mina. Se, num livro, procurassem o significado do seu nome, descobririam que significa «peixe» em antigo sânscrito. Mas Mina não sabia, porque nunca procurava o significado de nada em lado nenhum. Mina detestava ler e detestava livros.

— Estão sempre no meio do caminho — dizia ela. E era verdade, porque em sua casa havia livros por todo o lado. Não apenas nas prateleiras e nas mesinhas-de-cabeceira, onde normalmente há livros, mas em todos os lugares onde geralmente não há livros.
Havia livros dentro de cristaleiras, de cómodas e de roupeiros, em guarda-fatos e em armários e dentro de arcas. Havia livros em cima do sofá e livros nas escadas, livros a abarrotar dentro da lareira e empilhados em cima de cadeiras.

E o pior de tudo era que os pais de Mina estavam sempre a trazer MAIS livros para casa. Passavam a vida a comprar livros, a trazer livros da biblioteca e a encomendar livros através de catálogo. Liam ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar. Mas quando perguntavam à Mina se ela queria ler, ela fazia uma birra e gritava: Eu detesto livros! E quando em voz alta tentavam ler-lhe uma história, ela tapava os ouvidos com as mãos e gritava ainda mais alto — EU DETESTO LIVROS!

Havia provavelmente um só ser no mundo que, ainda mais do que Mina, detestava livros. Era o seu gato, Max. Há muito tempo, quando ele era ainda gatinho, caiu-lhe um atlas em cima da cauda. Ficou com a cauda dobrada como um limpa-cachimbos. Desde então, procurava sempre ficar em cima dos livros em vez de ficar debaixo deles.

Uma manhã, depois ter tirado todos os livros do lavatório para lavar os dentes, Mina foi à cozinha preparar o pequeno-almoço para si e para o Max. Primeiro, subiu para cima de uma pilha de volumes de uma enciclopédia, para conseguir chegar aos cereais. Depois, abriu o frigorífico e afastou um monte de revistas para retirar o leite. Deitou um pouco de leite para si e um pouco para o Max.
— Max! — chamou ela. — O pequeno-almoço está pronto!
Mas o Max não aparecia. Tentou novamente.
— Max! — chamou ela. — O pequeno-almoço está pronto! — E ele continuava sem aparecer.
— Onde poderá ele estar? — pensou a Mina. Procurou na banheira e atrás do secador da roupa. Procurou debaixo das escadas e em cima do relógio. Encontrou mais livros, mas não encontrou o Max.

Subitamente, ouviu um grande — Miaaaaaaauu! Correu para a sala de jantar, e lá estava ele, no cimo da pilha de livros mais alta da casa, sem conseguir descer. Esta pilha era formada por todos os livros que os pais estavam sempre a comprar-lhe e que ela sempre se recusava a ler. No fundo da pilha estavam grandes livros ilustrados, como novos, do tempo em que Mina era bebé. No meio, havia livros com o alfabeto e canções de embalar. Em cima, mesmo ao nível do tecto, havia contos de fadas e histórias de aventuras. Os livros estavam todos cobertos de pó.

— Não te preocupes, Max — gritou-lhe Mina.
— Eu vou salvar-te! — E começou a trepar pela pilha de livros acima. De início, foi fácil, porque os livros ilustrados tinham capas duras, e era como se estivesse a subir umas escadas. Mas quando Mina chegou aos livros de capa mole, falhou-lhe o pé num livro de poemas, perdeu o equilíbrio e começou a escorregar.

CATRAPUM! Os livros foram pelos ares. Caíram por todos os lados, as lombadas abriram-se pela primeira vez, e as páginas separaram-se. À medida que os livros iam caindo, iam acontecendo coisas estranhas. Pessoas e animais começaram a cair das páginas e a rebolar pelo chão. Caíam uns em cima dos outros, espalhando os livros e fazendo tombar as cadeiras.

Havia príncipes e princesas, fadas e rãs. E, depois, um lobo e três porquinhos e um troll traquinas em cima de um tronco. O Humpty Dumpty foi pelos ares e depois partiu-se ao meio, por detrás da Mãe-Pata e de uma girafa roxa. Havia elefantes, imperadores, avestruzes e duendes, e uma variedade de macacos, todos emaranhados uns nos outros.

Mas acima de tudo havia coelhos, por todos os lados. Coelhos selvagens, coelhinhos brancos e coelhos de chapéu.

Mina sentou-se no meio daquilo tudo, demasiado surpreendida para se mexer. — Eu pensava que os livros estavam cheios de palavras, não de coelhos! — disse ela, quando caíram mais seis coelhos aos trambolhões de um livro ao seu lado.

Agora, ela já não reconhecia a sala de jantar. O elefante estava equilibrado, em cima de uma mesa de café, a fazer malabarismos com os pratos do melhor serviço. Os macacos tinham arrancado as cortinas e feito delas capas. E os coelhos mordiscavam as pernas da mesa.

— Parem! — gritou Mina. — Voltem para os vossos livros! — Mas havia tantos latidos e grunhidos e passos pesados, que ninguém a ouviu falar. Mina pegou no coelho que estava mais perto dela e tentou metê-lo dentro de um livro de cozinha, mas ele assustou-se tanto, que se contorceu, escapou-se-lhe das mãos e fugiu. Ela abriu outro livro, de onde saíram quatro patos a voar. Voltou a fechá-lo. — Isto não vai resultar — disse Mina. — Não sei a que livro pertence cada um deles. — Pensou por um minuto. — Já sei — disse ela. — Vou perguntar a todos onde pertencem.




Começou por uma criatura estranha que não reconhecia de todo. — Quem és tu? — perguntou ela. — A é de Aardvark! — disse o animal, zangado, e afastou-se à procura do livro do Alfabeto.

Ela encontrou um lobo a chorar debaixo da mesa da sala de jantar e perguntou-lhe onde é que ele pertencia. — Não me recordo se sou do Capuchinho Vermelho ou dos Três Porquinhos! — disse ele a chorar e assoou-se à toalha da mesa. Mas Mina não podia ajudá-lo, porque nunca lera nenhuma das histórias.

Então teve outra ideia. Agarrou no livro que estava mais perto de si e começou a ler em voz alta. — Era uma vez — começou Mina. — Numa terra muito, muito distante…

Devagar, os animais pararam de saltar e de uivar e de falar depressa e de conversar. Aproximaram-se dela para ver o que ia acontecer. Passado pouco tempo, estavam todos sentados em círculo à sua volta, a ouvi-la ler.

Quando Mina chegou ao cimo da segunda página, os porcos que estavam no círculo levantaram-se de um pulo. — Somos nós! — gritaram eles — E a nossa página! Esse é o nosso livro! — Saltaram do círculo, pularam para o colo de Mina e desapareceram dentro dele. Mina fechou-o, antes que eles pudessem pular outra vez cá para fora.

Pegou noutro livro de histórias. Um a um, começou a ler todos os seus livros. E, um a um, os animais encontraram o livro a que pertenciam.

Por fim, ficou na sala apenas um coelhinho vestido com um casaquinho azul. Mina agarrou no livro devagar. Era A História de Pedro Coelho (The Tale of Peter Rabbit, em inglês), — Talvez eu possa ficar com este coelho para mim — pensou ela. Estava a começar a sentir-se sozinha, agora que todos se tinham ido embora.

Mas o coelho ficou à frente de Mina, apoiando-se ora numa pata, ora noutra, nervoso, mexendo o nariz peludo. Estava ansioso por regressar a casa. Então, com um grande suspiro, Mina abriu o último livro. O coelho saltou lá para dentro, abanou a cauda e desapareceu.

A casa ficou em silêncio. O Max estava sentado em cima de uns livros, a lavar a cara. Mina suspirou: — Nunca mais vou voltar a ver aqueles coelhos! — disse ela.

Em seguida reparou que os livros ainda ali estavam, à sua volta. Começou a sorrir.

Quando os pais chegaram a casa nessa tarde, custou-lhes a acreditar no que estavam a ver. Não era por as cortinas terem desaparecido e por os pratos estarem partidos, e as pernas da mesa, roídas. Mas sim porque ali mesmo, no meio da sala, estava Mina. E estava a ler um livro.

Manjusha Pawagi
A Menina que Detestava Livros
Lisboa, Terramar, 2005

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Contos

O VELHO, O RAPAZ E O BURRO
Um dia, iam pela estrada da aldeia um velho, o seu neto e um burro.
Diz o velho:
- Como és novinho salta para cima do burro porque eu estou habituado a longas caminhadas.
Uns camponeses, ao passarem por eles, ficaram de boca aberta e exclamaram:
- Um moço tão forte e repimpado em cima do burro, enquanto o avô que já é velhote vai a pé?! O mundo está às avessas.
Ao ouvir isto, o avô disse para o neto:
- Para não ouvirmos mais falatórios salta do burro abaixo e deixa-me ir montado nele.
E lá seguiram caminho. Pouco depois encontram outros camponeses, e estes, indignados, disseram:
- Ó velho, tu que estás habituado a andar a pé vais repimpado no burro, enquanto o coitado do teu neto vai a pé.
Então o avô disse para o neto:
- Olha, para não ouvirmos mais falatórios é melhor irmos ambos montados no burro!
Os dois seguiram caminho, montados no burro.
Nisto passou outro grupo de camponeses e reclamando disseram:
- Coitadinho do animal, é capaz de rebentar com aqueles dois montados nele.
- Olha meu neto, vamos descer os dois do burro para não ouvirmos mais críticas – disse o velho.
Seguiram o seu caminho e encontraram novamente camponeses indignados que lhes disseram:
- Ai o que eu estou a ver! Então não é que vai ali um pobre velho a arrastar-se e mais um rapaz que já deve estar bem cansado e o fidalgo do burro sem ninguém em cima dele! Isto é mesmo de doidos!
Então o velho parou e disse:
- Olha meu neto, como já vejo que não conseguimos acabar com os falatórios, vamos como estávamos ao princípio: volta para cima do burro, que eu vou muito bem a pé!!!
Moral da História:
Dar satisfações ao mundo,
Só os loucos as vão dar.
Se o mundo quer dizer mal,
Ninguém o pode calar.


Reconto elaborado a partir do conto "O Velho, o Rapaz e o Burro" retirado do livro "Os avós e os Netos"

O burro de Buridan

O burro de Buridan

O burro de Buridan

Era uma vez um filósofo chamado Buridan.
- Mas que vem a ser um filósofo? - perguntam vocês.
- É um homem cuja profissão é pensar.
Pensa, pensa e ensina os outros a pensar.
O nosso filósofo tinha um burro, que pensava pouco e carregava muito, como em geral acontece com os burros. Carregava cântaros de água da fonte, lenha para a lareira, sacos de farinha, livros e mais livros. Até carregava o dono que andava de terra em terra a dar lições a quem queria aprender a pensar.
Certo dia, nas suas andanças, chegaram a uma terra e procuraram uma hospedaria.
O burro como burro ficou no pátio, atado a uma árvore. Buridan como sábio, entrou na sala onde encontrou um jovem a chorar (…).
- Porque choras? – perguntou o filósofo.
- Quando cá estive a semana passada os teus olhos riam como dois sóis.
- Antes ria porque era feliz. Tencionava casar-me… Tinha-me apaixonado por uma rapariga tão bela, tão maravilhosa que julguei que no mundo não houvesse outra igual.
- Mas havia? – quis saber Buridan, já curioso.
- Apresentou-me a irmã gémea! É impossível distingui-las. Agora já não sei qual hei-de amar. O filósofo pôs-se a pensar a pensar. Não era essa a sua especialidade?
- Aí está um problema sem solução. Dizem que o homem é livre de fazer escolhas mas, diante de duas pessoas iguais como há-de decidir?
- Então estou condenado a ficar solteiro?
- Bem, tu ainda tens sorte porque um homem pode viver sem casar. Mas um caso de indecisão pode levar até à morte.
O filósofo Buridan image
A gente que entretanto se tinha reunido na estalagem ouvia atentamente aquelas palavras graves.
- Sim! Sim! – insistiu Buridan. – Vão ver a tragédia que vai acontecer ao meu burro.
Mandou buscar dois fardos de palha iguaizinhos.
Colocou o burro no meio do pátio com um fardo de cada lado, à mesma distância.
- Como ele não pode decidir entre dois objetos iguais vai hesitar, hesitar até morrer de fome.
As pessoas puseram-se a espreitar em silêncio.
(…) A estalajadeira pôs-se a esfregar as mãos de contentamento, tecendo planos em voz alta.
- Então com a pele dele vou fazer uma mala para guardar o enxoval. Transformo o rabo em vassoura. Com a carne vou cozinhar um banquete para os meus hóspedes e deito os ossos aos cães.
O burro até espetou as orelhas ao ouvir estas palavras.
Deu um par de coices no ar, não hesitou mais. Trotou até ao fardo da direita e comeu metade, trotou até ao fardo da esquerda e comeu outra metade.
Depois, feliz por se ver livre, para mais com a barriga cheia, largou a galope até uma encruzilhada de onde partiam duas estradas iguais.
Não perdeu tempo a decidir, meteu pelo campo.
Para que é que um burro precisa de estradas?
(…) o filósofo Buridan, agora sem montada, achou que o melhor era sentar-se a escrever para não cansar as pernas. E escreveu um livro que muitos leram em que falava dum burro imaginário que morreu por ser incapaz de decidir. Lê-lo, de certeza, nunca passou pela cabeça de qualquer burro com juízo.”
Luísa Ducla Soares com ilustrações de Eunice Rosado, O burro de Buridan, Civilização Editora, Lisboa 2010.

domingo, 11 de maio de 2014

Ler, livros e leitores

Algo sobre...
Ler, livros e leitores...


“Era uma vez….

Era uma vez uma língua… uma língua de sonhos, com contos, lendas e mitos de encantar.
Com estórias e história, herdada dos nossos pais e herança dos nossos filhos.



 O que é a Leitura:



A leitura é a ação de ler algo. É o hábito de ler. A palavra deriva do Latim "lectura", originalmente com o significado de "eleição, escolha, leitura". Também se designa por leitura a obra ou o texto que se lê.

A leitura é a forma como se interpreta um conjunto de informações (presentes em um livro, uma notícia de jornal, etc.) ou um determinado acontecimento. É uma interpretação pessoal.
O hábito de leitura é uma prática extremamente importante para desenvolver o raciocínio, o senso crítico e a capacidade de interpretação.
O prazer da leitura deve ser despertado logo na infância. Ler faz parte da formação cultural de cada indivíduo. A leitura estimula a imaginação, proporciona a descoberta de diferentes hábitos e culturas, amplia o conhecimento e enriquece o vocabulário.
Para quem deseja ler com maior rapidez e absorver o máximo de conteúdo, a leitura dinâmica é um método recomendado. As diferentes técnicas de leitura incluem a leitura em blocos, ampliando o ângulo de visão, e não palavra por palavra.
No meio tecnológico, a leitura é o processo de descodificação de dados armazenados em um suporte, por exemplo, a leitura dos dados de um CD através do computador.
O registo das informações feitas por um instrumento de medida são também designadas por leitura, por exemplo, a leitura da água ou da luz.

"O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive." 
 Padre António Vieira

terça-feira, 6 de maio de 2014

Cativar

CATIVAR




Quem és tu? ... perguntou o principezinho... tu és bem bonita...
Sou uma raposa

Príncipe - vem brincar comigo... estou tão triste...

Raposa - eu não posso brincar contigo! Não me cativaram ainda.
Príncipe -  ah ! desculpe-me... o que quer dizer "cativar"?

Raposa- tu não és daqui... que procuras?
Príncipe - procuro amigos... que quer dizer "cativar"?
Raposa - é uma coisa muito esquecida... significa criar laços.
Príncipe - criar laços?

Raposa - exatamente !!! Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos! E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma simples e mortal raposa igual a cem mil outras raposas. Ah !!! ...mas se tu me cativas... nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo, e eu serei para ti a única no mundo...
E a raposa continuou...
Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também.

E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol... Conhecerei seus passos, um barulho que será diferente dos outros.

Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca... será como música aos meus ouvidos... E depois, olhai! Vês lá longe os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil.

Os campos de trigo não me lembram coisa alguma... e isso é triste ! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado.

O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti... e eu amarei o som do vento que passa no trigueiral... por favor, cativa-me !
Bem quisera disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas outras coisas para conhecer.
A gente só conhece bem as coisas que cativa, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo... anda... vamos lá... cative-me !!!
Que é que preciso fazer... perguntou o principezinho.
É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro, um pouco longe de mim, assim, na relva.Eu te olharei com o canto dos olhos e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal - entendidos. Mas a cada dia, tu te sentarás cada vez mais perto... e....
No dia seguinte o principezinho voltou.
Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro horas da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz.

Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas então... estarei inquieta e agitada; descobrirei o preço da felicidade. Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...
E assim foi... o principezinho... cativou a raposa.
Um dia chegou a hora da partida... e a raposa disse:
- Ah! eu vou chorar..
- a culpa é sua disse o principezinho, eu não queria te fazer mal... mas tu quiseste que eu te cativasse...
- quis... disse a raposa !!!
- mas tu vais chorar ?
- vou disse raposa !!!
- então nada sairás lucrando... disse o principezinho !!!
- eu... lucro sim, disse a raposa... por causa da cor de teus cabelos, ao olhar os campos de trigo tu estarás sempre presente em meu coração...

O pequeno príncipe
Antoine de Saint-Exupéry